Sem a necessidade de passaporte, turista pode conhecer a Europa visitando o interior de SC

Uma menina brinca com o cachorro num enorme gramado próximo de casa, rodeada por cavalos e algumas vaquinhas. Ao fundo, uma moça circula de bicicleta, pronta para ir ao trabalho. De comum entre as duas, o fato de terem a pele clara, olhos bem azuis, cabelos loiríssimos (e naturais). Ao se cruzarem, se cumprimentam rapidamente num linguajar característico e praticamente incompreensível aos ouvidos de quem não conhece o idioma alemão. A cena, com cara tão européia, é vivida bem próxima de qualquer um de nós. Nem é preciso passaporte para se deslumbrar com esta imagem, nem mesmo com as belezas naturais e o modo de vida campeiro, com predominância dos costumes germânicos. Isso tudo em pleno Brasil, mais precisamente em Pomerode, considerada a cidade mais alemã do país.
A pequena Sabrina, de cinco anos, faz parte da mais nova geração que deverá manter a tradição praticada há décadas por outros integrantes da família Fischer. O pai da garota, o “faz-tudo” Adolar, administra o hotel fazenda Mundo Antigo, empreendimento que ele próprio colocou de pé nas terras que herdou. Onze chalés no estilo enxaimel recebem visitantes dos quatro cantos do planeta, para desfrutar e se encantar com o modo de vida local.
As construções seguem a técnica construtiva trazida há vários anos pelos colonizadores da Alemanha. São toras de madeira que se encaixam e paredes que se formam em seguida, com o preenchimento de tijolos. Telhados angulosos serviam para evitar o acumulo de neve na Europa. Apesar do frio do Sul do país, os imigrantes desconheciam o fato de não nevar no Vale do Itajaí, e mantiveram todos os detalhes das residências quando por aqui se instalaram. E também fizeram questão de trazer outras atividades até então exercidas somente no Velho Continente.
Desde a chegada na região de Pomerode, 180 anos se passaram, mas, quem visita a região pode ter a real impressão de como era a vida há quase dois séculos. Primeiro, que os moradores são fiéis às origens e fazem questão de preservar os costumes. Segundo, que no hotel da família Fischer, o próprio Adolar ergueu um museu em tamanho natural que exemplifica cada atividade.
Mesa farta com receitas doces e salgadas
O modo de vida ao estilo rural se destaca em Santa Catarina a poucos quilômetros do litoral, paisagens já tão conhecidas por visitantes do Brasil e do Exterior. Aos poucos os turistas descobrem que em menos de uma hora encontra locais únicos, com características tão evidentes e uma gastronomia impecável. As cidades de origem alemã praticam as mesmas receitas ao longo dos anos. Ler o cardápio de restaurantes típicos é quase como ter uma aula de um novo idioma. Eisbein, Kasler e Hackapetter são os nomes originais de pratos como joelho de porco, bisteca de porco e bife tartar. Sempre acompanhados de purê de maça, chucrute e a raiz forte, algo similar à utilizada na culinária japonesa, porém branca. Ah, não podemos esquecer dos deliciosos doces. A mesa farta tem ainda os chopes artesanais, produzidos aos montes no Vale do Itajaí, em várias microcervejarias.
A Das Bier, por exemplo, está situada junto a um pesque-pague. No cardápio, além da cerveja artesanal, iguarias da água doce, como trutas. O local produz diversos tipos da bebida trazida pelos alemães (Weizen, Braunes Ale, Pilsen e Natural) e culinária especial com uma paisagem de tirar o fôlego. O local é cercado por lagoas que fazem parte do Pesca e Lazer. “Esta cidade e esta região são muito ricos. Uma ótima pedida para quem quer passar conhecer um pedacinho da Europa, em pleno Brasil”, comenta o gerente comercial e de logística da Das Bier, Emerson Bernardes.
Artesanato Típico incrementa turismo de SC
A forma simples de viver encontrada no Vale do Itajaí e que tanto atrai turistas é herança dos colonizadores europeus, englobando, além dos alemães, italianos e portugueses. Além da culinária, do modo de trabalhar e das atividades de sobrevivência o artesanato é algo muito característico. De técnicas de pintura à fabricação de porcelana, a região é riquíssima quando o assunto é habilidade manual.
Em Pomerode, a técnica de pintura chamada de Bauernmalarei consiste na pintura de flores campestres com leves pinceladas no formado de vírgulas. A artista plástica Nani Scheer comenta que até o século 19 este tipo de decoração era bastante utilizado em móveis de madeira maciça. Com o crescimento da indústria moveleira e a popularização dos produtos, a técnica perdeu espaço.
Também em Pomerode, a artista Karin Lemke aposta na técnica Fernsterbilder. Pedaços de madeira minuciosamente cortados como quadros vazados costumavam enfeitar janelas na Alemanha antiga. “Era uma forma de trazer imagens mais aprazíveis no gelado inverno alemão”, comenta Karin. No Vale do Itajaí, ela ainda pinta de forma bem colorida as peças, dando ares mais tropicais ao artesanato.
ENDEREÇOS
Onde ficar
Bergblick Hotel. Rua Georg Zeplin, 120, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-0952. www.bergblick.com.br
Hotel Fazenda Mundo Antigo. Rua Ribeirão Herdt, 1830. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-3143.
Onde comer
Torten Paradies. Rua XV de Novembro, 350, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-0950.
Restaurante Típico Siedlertal. Rua Hermann Weege, 500, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-2455. www.siedlertal.com.br
Cervejaria Das Bier. Rua: Rua Bonifácio Haendchen, 5.311, Belchior Alto, Gaspar (SC)
Telefone: (47) 3397-8600. www.dasbier.com.br
O que visitar
Museu do Marceneiro Behling. Rua Alfredo Hoge, 525, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-2072. www.behling.ind.br
Museu Pomerano. Rua Hermann Weege, 111, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-0408.
Artesanato
Velas Güenther. Rua Frederico Weege, 3.420. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-0152. www.guenthervelas.com.br
Special Presentes. Rua XV de Novembro, 167. Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-4270. www.specialpresentes.com.br
Nani Atelier. Rua Karl Guenther, 459, Centro. Pomerode (SC). Telefone: (47) 3387-3714.
Oficina das palavras Assessoria de Imprensa, Blumenau, SC

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