Dia Mundial de Luta Contra o Tabaco

Acompanhamento psicológico é fundamental para largar o vício

JOINVILLE (SC) – Fumar era visto antigamente como uma questão de status. As pessoas se reuniam com o objetivo de fumar e conversar e isso era um hábito bem visto pela sociedade. Hoje, quem acende um cigarro recebe, no mínimo, “olhares atravessados” por quem estiver perto.

As justificativas anti-fumo têm crescido muito nos últimos tempos. Começou com fotos chocantes atrás dos maços e campanhas na mídia e posteriormente, a conscientização tomou rumos mais enfáticos: a proibição em locais fechados e até alguns cartazes com frases como: “este ambiente é saudável, aqui não se fuma”. Casas noturnas, por exemplo, foram obrigadas a reservarem uma área especial para os fumantes. Com isso, o cigarro que antes era um fator de união entre as pessoas, tem se tornado um segregador, quando os fumantes foram perdendo espaço no meio social. Hoje já não há mais cinzeiros nos lugares e nem incentivo para esse ato.

Mesmo com tantos argumentos contra o fumo, é difícil para os fumantes conseguirem se afastar do vício. “O cigarro para cada pessoa tem uma função, mas na maioria dos casos é uma prática que alivia a ansiedade. Além da dependência física que o cigarro traz, há a dependência psicológica. O cigarro se torna um aliado contra a ansiedade e com isso gera um prazer, pois momentaneamente, ocorre uma diminuição da tensão psicológica. Contudo, essa diminuição é passageira, fazendo com que os fumantes busquem novamente o cigarro para obter um prazer. É um circuito difícil de sair, pois a pessoa sempre busca um alívio e, temporariamente, consegue. Porém, com esse alívio, vêm junto os danos à saúde causados pelo cigarro”, explica a psicóloga Adriana Cândido da Silva, da Clínica Livon, de Joinville.

Ainda segundo a psicóloga, é comum quando as pessoas param de fumar, transferir o ato de fumar por comer, por exemplo, provocando um aumento de peso. “É questão lógica: a pessoa necessita ter outra coisa para aliviar sua ansiedade e acaba utilizando-se da comida para esta finalidade, que também tem o prazer oral”, acrescenta.

É fundamental que, quando uma pessoa resolver parar de fumar, ela procure acompanhamento psicológico como forma de ajudar nesse processo e evitar que o cigarro seja trocado por outra coisa, como a comida, por exemplo. Nesse processo psicoterapêutico, o psicólogo irá compreender quais as funções que o cigarro tem na vida daquele sujeito e, a partir disso, quais estratégias podem ser feitas para evitar a transferência por outro hábito, driblar a ansiedade e obter uma melhor qualidade de vida.

Foto: http://www.sxc.hu

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