Funcionário de longa data: Bom ou ruim?

BLUMENAU (SC) – Quanto tempo se deve permanecer em uma mesma empresa? Como perceber que é hora de trocar de trabalho? Qual é o melhor funcionário? O funcionário de longa data, que trabalha há muitos anos na corporação, ou aquele que tem diversas experiências em diferentes locais? Questionamentos como esses são muito comuns para quem busca ser feliz na vida profissional. A Executive Master Coach, Janaina Manfredini, da Effecta Coaching, analisa e orienta as pessoas que estão em dúvida do que fazer e como agir em situações como essas. Ela lembra que o sucesso, a felicidade a plenitude são conquistados por poucos. Não porque poucos têm esse destino. Esse é o destino de todos, porém poucos se arriscam a viver. Veja algumas dicas importantes:

Qual é o sinal de que seu tempo na mesma empresa já terminou? 
É necessário estar atento a vários sinais como:
• Quando você já não tem mais vontade de sair da cama para ir trabalhar. O problema é que algumas pessoas já estão tão acostumadas com isso que acham que é normal.
• Quando você não acredita e não vive os mesmos valores da empresa.
• Quando começa a ficar doente por qualquer coisa. Sim, a infelicidade pode ser somatizada. Eu mesma tive uma experiência em relação a esse assunto. Tive uma hérnia de hiato, que acabou curada logo depois do meu afastamento da empresa em que trabalhava na época. Parece incrível? Não é. É triste mesmo.
• Quando você não quer chegar aonde a empresa quer chegar.
• Quando você está lá pelos motivos errados. É importante lembrar que motivos errados para uns, podem ser motivos certos para outros. É fundamental conhecer o motivo correto para nós mesmos.

Quais são os motivos errados em permanecer no mesmo trabalho?
Existem alguns questionamentos que devem ser feitos e para depois analisar as respostas. Normalmente o colaborador não gosta mais do que faz, mas não quer começar tudo de novo. Outras vezes decide permanecer na mesma empresa para não magoar alguém, como um familiar ou um líder que o deu muitas oportunidades, por exemplo. Outra situação comum é por estar em uma zona de conforto. Sair dela, normalmente, é difícil e doloroso.

Um salário mais alto justifica a troca de trabalho?
Pode ser certo ou errado. O salário pode significar segurança, aposentadoria, entre outras questões. Algumas pessoas são muito motivadas por isso e se sentem muito bem trabalhando pelo salário. Outras têm no dinheiro a evidência de sucesso e não o sucesso. Conheço gente que teve oferta de trabalho para ganhar remunerações 10 vezes maior e não quis trocar de emprego. Isso porque a nova oportunidade implicaria em dedicar 90% do seu tempo a empresa, viajando quase 30 dias por mês.  Outras aceitam bem felizes. Quem está certo? Todos eles. Se estiverem fazendo a escolha pelos motivos certos. Explicando melhor: se a pessoa que disse não, virou as costas bem feliz com sua resposta, ela fez pelos motivos certos e não vai sofrer mais tarde. Porém se ela ficar se lamentando que deveria ter aceitado é possível que tenha feito pelos motivos errados. Da mesma forma, se a pessoa que disse sim, aceitou, mas passa o mês fora de casa se lamentando que deixou a família e sofrendo por isso, foi feita a escolha errada. O resultado de uma escolha pelos motivos errados afasta os profissionais da plenitude e da felicidade.

É possível ficar muito tempo no mesmo emprego e ser feliz?
Claro. Não é o tempo que você está na empresa que determina sua felicidade. O mais importante é porque fazer o que você faz, pra quem você faz, e se o meio que você trabalha faz sentido pra você.

Qual é a orientação para quem troca muito de emprego? Qual é a visão que os líderes têm sobre esse profissional?
Quando você troca muito de emprego, existe um julgamento do mercado de que você não se compromete, não se satisfaz nunca. Eu sempre tomo cuidado com esses julgamentos, porém eles existem. O profissional “pula-pula” não é bem visto. As empresas têm medo de investir em uma pessoa e essa pessoa aceitar a primeira oportunidade que aparecer aí fora. Se você tem sido um “pula-pula”, analise as razões. Se é porque você tem despontado muito no mercado em que atua e está recebendo proposta de real oportunidade de crescimento e evolução pode ser um bom sinal.

E se esse não for o caso?
É preciso avaliar outras questões:
• Você aceitou empregos pelos motivos errados?
• Qual seu nível de resiliência? Quanto você se permite se adaptar a organização, a equipe, a liderança? Precisamos lembrar que as organizações têm culturas diferentes e adaptar-se dentro da cultura de uma nova empresa faz parte do processo.
• Qual é seu nível de flexibilidade?  As pessoas mais inflexíveis, nunca percebem que possuem essa característica e normalmente reclamam das coisas não serem exatamente como querem. Isso pode acarretar em dificuldades para permanecer em uma corporação.
• Você sabe quais são seus objetivos de carreira e qual o papel dessa oportunidade para alcançá-los?
• Se seus problemas são com as pessoas e pensa “o fulano é insuportável”, “o beltrano é irritante”, por exemplo, é possível que você precise aprender a arte dos relacionamentos. Afinal, se você não souber lidar com esse ou aquele tipo de pessoa em uma empresa encontrará as mesmas dificuldades em outra, apenas com outros nomes. É indispensável parar de culpar os outros e se perguntar o que você pode fazer para conseguir os resultados desejados por você e pela empresa.

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Camile Magalhães – jornalismo@grupoodp.com.br – (47) 3322-0545 / (47) 9994-1484

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