Medidas podem evitar tragédias a exemplo do Rio de Janeiro
BLUMENAU (SC) – Com o acontecimento do desmoronamento de três prédios no Rio de Janeiro na semana passada ficou ainda mais evidente a importância de medidas de segurança durante a reforma de um prédio. O momento serve de alerta para quem está fazendo ou vai fazer uma reforma no apartamento ou sala comercial. É tempo também de saber se a estrutura do edifício onde se mora ou trabalha não precisa de reparos. Em Blumenau (SC) Rui Hahne, empresário da Construtora Hahne e engenheiro civil, respondeu perguntas para quem tem dúvidas na hora de remodelar o ambiente.
– Prédios muito antigos precisam de que tipo de reformas?
Rui Hahne – A vida útil dos elementos de um prédio varia de acordo com o tipo de material envolvido. A pintura externa dura geralmente 2 anos, já os revestimentos levam de 5 a 10 anos para começar a pensar em trocar. As instalações elétricas e hidráulicas precisam ser revistas no prazo de pelo menos 10 a 20 anos. As alvenarias, ou seja, as paredes feitas de tijolos cerâmicos, só precisariam ser reformadas em 40 a 50 anos. No caso das estruturas de concreto armado, que dão sustentação ao prédio, não existe um dado preciso, porém, se projetada dentro das normas e utilizada da forma para a qual foi projetada, pode chegar a 100 anos ou mais sem exigir reparos.
– Qualquer tipo de rachadura é sinal de que a edificação está com algum problema?
Rui Hahne – A norma brasileira de concreto armado prevê o dimensionamento das peças considerando o aço escoado na tração, o que provoca fissuras no concreto, o que chamamos de rachaduras. A diferença é que esse tipo de fissura é facilmente reconhecido pelo engenheiro projetista, porque estão relacionados ao modelo estrutural adotado. Outras fissuras ocorrem nas alvenarias devido à dilatação térmica ou hidráulica, ou seja, é uma rachadura provocada pelo aumento ou retração dos materiais devido a variação de umidade e temperatura do ambiente. Estas também são facilmente reconhecidas pelo engenheiro e podem ocorrer até em obras novas próximo às juntas de dilatação, nos andares superiores dos edifícios e nas junções entre alvenaria e concreto. As rachaduras provenientes de recalque das fundações são as mais problemáticas, pois indicam um deslocamento da estrutura. São rachaduras que ocorrem em paredes e lajes e aumentam rapidamente podendo ser verificada a sua evolução através da medição da abertura. Nesse caso, deve ser feito um reforço de fundação.
– Quais os cuidados que devem ser levados em conta quando se faz a reforma numa edificação que está habitada?
Rui Hahne – SEMPRE consultar o engenheiro projetista (ou, na falta dele, um engenheiro de estruturas com a posse do projeto estrutural da edificação), pois só ele sabe exatamente o modelo estrutural adotado e as intervenções possíveis na estrutura, bem como a sobrecarga adotada no projeto, o que é fundamental para dimensionar e depositar os novos materiais que serão utilizados na obra.
– Como saber se uma parede pode ser alterada? Somente o engenheiro responsável na época da construção pode aprovar?
Rui Hahne – O mais rápido e seguro é consultar o engenheiro projetista. Caso não seja possível, deve ser feita uma análise do projeto estrutural por um engenheiro de estruturas que vai identificar se as paredes são simples fechamento ou têm alguma função estrutural. Caso não existam projetos, a única maneira segura é fazer pesquisa no local para determinar a estrutura adotada. Através de análises em pontos estratégicos, pode-se avaliar a armadura e levantar informações para efetuar o recálculo da estrutura existente.
– Todos os tipos de reformas devem ser documentados? (por exemplo, a planta do prédio tem que ter as alterações que foram feitas?)
Rui Hahne – Todas as reformas devem ser documentadas (projetadas). Além de ser um documento para análise futura, reduz significativamente os trabalhos durante a execução (e consequentemente os custos), tais como interferências na estrutura, na elétrica, na hidráulica, nos acabamentos, etc.
Construtora Hahne
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